Por Martina Medina, para Um Só Planeta
As aves estão por toda parte, têm diversas cores e formas, emitem diferentes sons e possuem a invejável capacidade de voar. Não à toa, nós, seres humanos, sentimo-nos tão atados ao seu simbolismo de beleza e liberdade. Sem conhecer fronteiras, os pássaros participam da dispersão de sementes, polinização e controle de pragas. São ainda mensageiros do nível de qualidade ambiental e animais mais facilmente observáveis e registráveis do que médios e grandes mamíferos. Por tudo isso, especialistas ouvidos por Um Só Planeta celebram o turismo de observação de aves por seu potencial de conservação e desenvolvimento local. Sem florestas de pé, não há galhos para pousar, frutos para espalhar, nem vida para procriar.
O Brasil reúne o segundo maior número de espécies de aves registradas em todo o mundo: 1.971, perdendo apenas para a Colômbia, segundo o Comitê Brasileiro de Registro Ornitológicos. E é o primeiro nas Américas no ranking inglório de aves ameaçadas de extinção, com 166 espécies listadas. No mundo, apenas a Indonésia supera nosso país na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas em escala global elaborada pela IUCN (sigla em inglês para União Internacional para Conservação da Natureza). "Isso reforça a importância de se ter uma sociedade mais engajada na conservação do meio ambiente e observadores de aves são super exemplos desse engajamento", aponta Pedro Develey, diretor executivo da SAVE Brasil (Sociedade para Conservação das Aves do Brasil).
O birdwatching tem crescido no Brasil: já são 50 mil observadores no país, estima Pedro, diante da ausência de dados oficiais sobre o assunto. O potencial de crescimento é enorme. Nos Estados Unidos, a prática reúne 45 milhões de observadores, movimentando mais de US$40 bilhões por ano, de acordo com números divulgados pela agência norte-americana United States Fish and Wildlife Service.
O valor equivale a um terço das exportações brasileiras do agronegócio em 2021 (US$120,59 bilhões), segundo dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Enquanto as monoculturas de soja e de celulose, e os pastos para criação de gado no país geram desmatamento e perda de biodiversidade, a observação de aves movimenta a economia estimulando a preservação de ecossistemas e dando visibilidade a espaços de conservação.
"Você só preserva o que conhece e o que gosta. O gosto por estar no ambiente natural vendo as aves já faz com que o turista valorize aquele ambiente. Todo observador é um conservacionista porque precisa que o meio ambiente esteja preservado para que ele possa observar as aves", diz.
A prática consiste em observar aves nativas, identificá-las e fotografá-las em espaços naturais. No mundo, são cerca de 11 mil espécies. Alguns observadores colocam metas como a de observar e registrar todos os tipos de beija-flores, tucanos, bem-te-vis e outras espécies. "Isso é muito saudável. É como criar uma grande coleção de aves, mas, para mantê-la, você precisa manter também os habitats naturais delas", explica Pedro, lembrando que é cientificamente comprovado que estar na natureza beneficia a saúde humana e observar aves é uma das maneiras de estabelecer esse contato.
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